segunda-feira, 4 de junho de 2007

Necessito ir embora pra Pasárgada...


Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa dementeVem a ser contraparente Da nora que nunca tive

E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d'água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção

Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar— Lá sou amigo do rei —Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

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